Aventuras

Lenda das Camarinhas

Damas de companhia 18813

E que seria facil conquistal-a, indo em demanda d'ella um pouco longe, em um logar d'onde ella nos sorri, d'onde ella nos acena, cariciosa Chamava-me Paris. Eram mais, eram muitos mais, todos lidos, todos decorados com enternecimento e apaixonado enlevo. Eram os que eu sempre amei desde que abri os olhos d'alma, e a quem devo os prazeres mais ardentes, mais refinados ou mais subtis da minha vida interior. Para mim confundiam-se n'um cahos allucinante [6] as épocas, os seculos, os periodos historicos. O meu humilde espirito colhêra apaixonadamente scentelhas soltas de todos esses espiritos; a minha memoria guardava reverente, em relicario precioso, perfumes vagos de todas essas essencias raras! Amara-os tanto! Sonhara-os tanto!

Lenda das Camarinhas Se D. E assim o Rei se perdia. E assim deixava passar as doces tardes nos ardorosos favores duma linda burguesa ou duma simples mas graciosa camponesa. Por mais que lhe prometesse, voltava sempre ao mesmo. Ela, a Rainha Santa, bem entendia aqueles olhares indiscretos e de pena que as aias deixavam subentender. El-Rei, novamente perdido por alguma camponesa mais fresca e ladina. El-Rei, na sua alcova alertado, pôs-se a caminho do Paço, vindo a encontrar a Rainha, no sítio onde o povo ficou a chamar de Cegodim, porque D. Dinis, ao encontrar a Rainha com todo aquele aparato de luminosidade, lhe disse: - Senhora minha! Vindes com tamanha luz!

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